(Divulgação: Dark | Netflix)
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3ª TEMPORADA DE DARK | CRÍTICA

Uma história que parecia começar como um borrão em meio aos seus inúmeros personagens, numa ficção hipnotizante sobre a ótica de um roteiro no mínimo encantador. Uma ficção cheia de metáforas da vida que confunde e seduz a nossa natureza curiosa, instigando nossas ideias que explodem num falso entendimento da cronologia, e nos nós atados dessa misteriosa triquetra. A 3ª temporada de Dark encerra o ciclo da história amarrando as devidas pontas.

Num exercício mental sem fim, a narrativa brinca com a nossa mente e nossa aptidão por questionar. Os contrapontos que sustentam a série são os velhos questionamentos de sempre: a verdade sobre nossa origem, luz e sombra, bem e o mal, e claro, nossa incompreensão diante da morte. A perda de um ente querido pode se tornar nossa própria ruína ou descolorir o mundo que nos cerca.

Um dos fatores mais simplistas é um dos, se não o maior mistério da vida, a morte. E como ela é capaz de nos impactar, mesmo sabendo ao nascer que todos estão predestinados a partirem um dia. Quem nunca desejou poder voltar no tempo para salvar alguém de partir ou fazer tudo diferente? Quem nunca se conflitou por questionar demais sobre os mistérios que nos rondam e pela impotência de ação perante algumas situações?

Louis Hofmann e Lisa Vicari na 3ª temporada de Dark
(Divulgação: Dark | Netflix)

A 3ª temporada de Dark nos expõe um leque de ensinamentos em seus oito episódios que pareciam não ser suficientes para amarrar a trama, mas são. Baran Bo Odar e Jantje Friese nos envolvem de forma inteligente neste drama surreal que sim, fala sobre viagens no tempo, mas mais do que isso, sobre nossa devoção e intensidade de amar.

Vivemos numa cúpula de mistérios, em um mundo submerso de questionamentos, que talvez, jamais sejam sanadas. A série explora o apego humano na fé, seja em algo ou alguém, e como a busca incessante por redenção pode nos condenar. Adão e Eva que se enfrentam num duelo cíclico onde o desejo de estar certo, é maior do que agir corretamente. A exaustão do mundo liberta os monstros da desistência e a vontade de por um ponto final, como Adam (Dietrich Hollinderbäumer), ou a persistência de que há um papel a ser cumprido por nós e de forma inquestionável como Eva (Barbara Nüsse). De fato, existe certo ou errado? Uma sociedade só poderia ser de fato funcional, sabendo trabalhar como uma.

Aceitar a falta de controle que temos em mãos e que o tempo não é algo a ser retido sob nossos desejos. Em um mundo cheio de paradoxos como o nosso, muitas das vezes, nosso erro é ignora-los. Você pode até não entender muito sobre física, acreditar em uma figura religiosa, dèja-vus ou destino, mas precisa reconhecer que nossas decisões são capazes de afetar mais do que nossas próprias trajetórias.

As cenas de paletas frias que acentuam o sentimento de abismo interior que assombra às famílias de Dark, nos imergem no desespero por respostas. Um elenco altamente talentoso e expressivo, instruído por uma trilha sonora assertiva e pontual. Louis Hofmann

e Lisa Vicari surpreendem pela entrega aos personagens. Os efeitos especiais deixam a desejar, mas não afetam o final digno de Dark, aberto à questionamentos e diferentes interpretações.

“O que sabemos é uma gota, o que não sabemos é um oceano”

O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.”Arthur Schopenhauer

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NOTA:

TRAILER:

Uma jornalista um tanto quanto nerd, apaixonada por conteúdo, música, filmes, séries e afins. Fundou o blog para dividir as alegrias e as angústias de uma vida que surpreende a cada novo capítulo.

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