OS PIORES CONTOS DE HORROR | RESENHA LITERÁRIA
Se me dissessem que um livro de terror me faria sentir medo de ler no escuro em pleno 2026, eu desacreditaria. Até ler Os Piores Contos de Horror, de Fernando Mantelli, e não conseguir nem olhar para a minha Alexa posicionada bem em frente à minha cama às 23h30, no completo escuro, com exceção da luz gentil vinda do meu Kindle.
Com uma audácia deliciosa de nos fazer sentir os cabelos da nuca arrepiarem, Mantelli nos coloca numa posição de temer o que ainda está por vir — não pela qualidade da história, é óbvio, mas sim pelo medo que cada página lida desperta.
Esqueça aqueles contos óbvios e os famosos jump scares. Este livro não se trata desse estilo narrativo, mas sim daquele temor que perdura lá no fundo da nossa cabeça. É como se todo o horror contido na essência humana emergisse através do sobrenatural.
Há de se pensar que histórias capazes de nos tirar completamente do nosso senso de calmaria possuem a capacidade voraz de alimentar nossa parcela lúdica.
Ao passo que a leitura avança e o temor aumenta, também passamos a imaginar até que ponto vamos conseguir ler sem sentir medo do escuro, de estar sozinhos durante a leitura ou até se nossos pés estão cobertos o suficiente. Se há algo na fresta da porta nos observando enquanto mantemos os olhos presos no Kindle. Ou se, de repente, devemos investigar o histórico da Alexa (na dúvida, melhor não).
Com honras a figuras mitológicas e religiosas já conhecidas, os contos viajam entre linhas temporais e diferentes classes, prometendo atingir todos os leitores de uma forma ou de outra. De forma sutil — ou nem tanto — os contos se conectam, fazendo o temor também virar êxtase quando essa percepção finalmente acontece. Provavelmente, a leitura vai fazer você revisitar alguns medos antigos. E talvez desenvolver alguns novos.
O livro é separado em três partes: Parte I — Feitiços, criaturas e assombrações; Parte II — Assassinos; e Parte III — Do Espaço Sideral. Preciso dizer que alguns contos em específico se destacaram para mim, mas meus favoritos talvez sejam “O Desaparecimento de Florence” e “Gaia”.
As ilustrações também ajudam a sustentar essa atmosfera obscura durante a leitura, funcionando quase como a cereja do bolo após o término dos contos. Mas o grande destaque está no próprio estilo de escrita de Fernando: envolvente, aprazível e, sem dúvidas, intensa.
Mesmo não sendo um dos gêneros literários que mais consumo, a experiência de poder me aventurar nessa jornada horripilante de 200 páginas que a Editora Avec me proporcionou me faz questionar se o maior terror que perdura sobre nós atualmente não é o preconceito que muitas pessoas ainda possuem contra as obras nacionais.
E, por causa disso, acabam perdendo a oportunidade de se aventurar em histórias criativas, ousadas e verdadeiramente temíveis como as de Fernando Mantelli.
🌸 Continue navegando em nosso blog. Para acessar o último post publicado, clique aqui
🖖 E não deixe de visitar o nosso instagram! ⬅️
Marcella Montanari
Uma jornalista um tanto quanto nerd, apaixonada por conteúdo, música, filmes, séries e afins. Fundou o blog para dividir as alegrias e as angústias de uma vida que surpreende a cada novo capítulo.
CONTINUE NAVEGANDO
Mulan | Disney revela o primeiro trailer do live-action
8 de julho de 2019
MEU CORPO VIROU POESIA | RESENHA LITERÁRIA
10 de maio de 2023