ATÉ QUE OS MORTOS NOS SEPAREM | RESENHA LITERÁRIA
Até que os mortos nos separem é um suspense sáfico escrito por Marina Porteclis e Tálita Heusi que narra a história de duas mulheres completamente diferentes uma da outra, mas que, mesmo dividindo o mesmo condomínio de luxo, vivem segredos tenebrosos que passam a ser compartilhados entre si por meio de cartas.
Sim. Cartas.
Em plena era digital, as figuras imponentes dessa história, Helena e Lavínia, passam a se corresponder dessa forma. Helena, parecendo ser uma primitiva grosseira, é quem inicia esse tipo de comunicação entre elas, inicialmente para atacar gratuitamente Lavínia, suas escolhas decorativas para o quintal e, claro, seu estilo de vida e seus encontros românticos caseiros.
A correspondência se torna praticamente a liga cômica que nos faz mergulhar profundamente no livro, nos divertindo e nos levando a criar teorias sobre uma paixão reprimida, o sarcasmo delicioso de Lavínia e a perspicácia audaciosa de Helena, que acende no leitor aquela fagulha de:
“Eu vou devorar este livro.”
Todos esses ataques gratuitos entre as mulheres brevemente as tornam cúmplices de um segredo que compromete a integridade de ambas. Mas o desejo de resolucioná-lo se torna o maior flerte da narrativa.
Quantas histórias de mistério nos fazem questionar, por vezes, nosso próprio senso de ética, moral e, talvez, humanidade?
Sim. Talvez esta seja uma dessas histórias.
E digo mais: além de uma narrativa aprazível, carnal e excitante, prepare-se para se deleitar com a paixão flamejante que nasce do caos.
Devo admitir que, apesar de Helena ser intrigante, Lavínia tem todo o meu coração com sua forma de nos envolver através de um vocabulário riquíssimo em sarcasmo, acidez e muito ódio guardado no coração — mas apenas para aqueles que merecem recebê-lo.
Ou devo dizer… justiça?
Todavia, é preciso ressaltar que, apesar de o livro ser muito bem escrito por mais de uma pessoa, essa história talvez não deva ser lida por todos. É importante destacar que a narrativa também carrega em seu âmago alguns temas difíceis de digerir. Então, é bom se certificar de que você conseguirá ler o livro sem que isso te faça mal.
No mais, a história é mais do que um mistério ou um caso a ser solucionado. Aqui nos tornamos cúmplices de uma relação alucinante, carnal e poética.
Estou procurando uma palavra que talvez chegue perto de descrever tudo o que senti durante essa leitura, e talvez ela seja:
Visceral.
Fui positivamente surpreendida por uma leitura que me fisgou logo no início e me manteve conectada até o fim. Leituras costumam nos despertar altos e baixos, mas sinto lhes dizer que ‘Até que os mortos nos separem’ me manteve lá no alto o tempo inteiro.
Devo admitir que foi engraçado observar minhas próprias reações durante a leitura, que iam de risadas para expressões sérias, de boquiaberta para sorrisos maliciosos e até uma risada maléfica e nervosa diante da amarração da história.
Sensacional.
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Marcella Montanari
Uma jornalista um tanto quanto nerd, apaixonada por conteúdo, música, filmes, séries e afins. Fundou o blog para dividir as alegrias e as angústias de uma vida que surpreende a cada novo capítulo.
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