O filme de Sam Mendes 1917
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1917 | MARATONA OSCAR

Quando nos envolvemos com histórias das duas Grandes Guerras, a expectativa cinematográfica se torna alta. Sam Mendes não traz grandes novidades em 1917 ou sequer foca na magnitude do combate em si, como a ideia do filme se vende sozinha, mas em uma pequena história isolada em meio à anarquia.

Esqueça a abordagem da industrialização com o avanço da tecnologia, a utilização das armas químicas ou até mesmo a ascensão do totalitarismo. O medo e o desespero de viver são marcantes, mas cumprir o seu dever perante à nação se sobrepõe a esses sentimentos, por consequência, nem mesmo o apelo emocional se sustenta por muito tempo. A ausência de desenvolvimento dos personagens nos impede de criar vínculos com a história. As participações especiais de Andrew Scott, Benedict Cumberbatch e até mesmo Mark Strong dão brilho aos poucos minutos de tela, mas também não são suficientes para salvar o enredo.

Sam Mendes aposta na ideia de um plano sequencial longo para 1917, tornando a abordagem dos protagonistas mais intimista, apesar do não aprofundamento da narrativa pessoal de cada um. A relação entre os planos, em como a câmera se aproxima ou expande seu campo de visão, nos possibilita participar da jornada sem tirar o foco dos soldados, o que até certo ponto, influencia na narrativa, já que a mesma não cede espaço para o crescimento da história por outro viés.

O filme de Sam Mendes 1917

Nos tornamos uma extensão dos olhos dos personagens em um roteiro debilitado que se alimenta de uma jornada rápida e sem muita ação, mas com reação aos perigos que os observam em silêncio na tentativa de acerta-los à queima-roupa e de calá-los para sempre.

A ideia de que um homem precisou atravessar grandes perigos a campo aberto, em uma zona de guerra para salvar mais de 1.600 homens que andariam diretamente para uma armadilha mortal é grandiosa, mas não impacta ou se conecta tão profundamente com o público, principalmente ao fim, com uma recepção tão fria e indiferente perante a ação do cabo Schofield (George MacKay).

Toda a atenção voltada aos sacrifícios do protagonista durante o filme, são quase invalidadas pelo próprio batalhão, dando a sensação de que o trajeto e seus sacrifícios pessoais não foram tão grandiosos assim. A reação saldando apenas o cumprimento do dever, desumaniza a história, que aparentemente parecia querer emocionar diante da promessa de Schofield, ao cabo Blake (Dean-Charles Chapman), que sofre um ataque e morre no meio do caminho.

A Academia sempre pende ao favoritismo para os filmes de guerra, mas será necessário aguardarmos para saber se o tema será o suficiente para favorecer Mendes.

NOTA:

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Uma jornalista um tanto quanto nerd, apaixonada por conteúdo, música, filmes, séries e afins. Fundou o blog para dividir as alegrias e as angústias de uma vida que surpreende a cada novo capítulo.

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