(Divulgação | Reprodução: Netflix)
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5ª Temporada de Black Mirror estreia e traz cenas gravadas em SP

Após o sucesso do filme interativo Bandersnatch, lançado em dezembro de 2018, Black Mirror retorna a Netflix com 3 novos episódios que compõem a 5ª temporada.

A 4ª temporada de Black Mirror já havia sido classificada com um grau de qualidade inferior as temporadas anteriores, mas a 5ª entrega uma potencialidade ainda menor. Sem tons de “isso é tão Black Mirror”, os episódios não entregam empolgação, até mesmo as relações com a tecnologia são mais amenas se compararmos com as temporadas anteriores. A sensação esperada por quem acompanha a série desde o início é aquele assombroso subconsciente que nos perturba por horas ou dias analisando com cautela as histórias, o envolvimento dos personagens com a tecnologia, os impactos do que alguns de nossos desejos causariam se fossem verdadeiros, mas a narrativa da 5ª temporada chega sem força para manter a empolgação.

Striking Vipers

(Divulgação | Reprodução: Netflix)
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O criador da série antológica, Charlie Brooker, traz mais um episódio fazendo referência ao universo gamer, como bem gosta de fazer, não é preciso voltar muito para recordarmos de Bandersnatch, aliás, a quinta temporada contém alguns easter eggs que fazem referência ao filme interativo.

No episódio, assistimos o desenvolvimento de uma trama entre três personagens, Danny (Anthony Mackie), sua esposa Theo (Nicole Beharie) e Karl (Yahya Abdul-Mateen II), que se conhecem há muitos anos, tendo dividido apartamento entre eles nos tempos mais antigos. Danny e Karl jogavam Striking Vipers quando moravam juntos, um game de luta que recorda muito a franquia “Tekken”, na qual conta com personagens humanos e animais. Ao se reencontrarem após muitos anos, onde Danny e Theo estão casados e formam uma família, Karl presenteia Danny com uma nova versão de Striking Vipers, levando em consideração, várias melhorias devido ao avanço da tecnologia, na qual transportam os jogadores para uma realidade virtual que os possibilita assumir os corpos de seus avatares e simular perfeitamente suas sensações físicas. Em meio a primeira luta entre eles, acontece o inesperado, eles se beijam e desenvolvem uma espécie de relacionamento virtual.

O episódio tinha tudo para desenvolver uma narrativa melhor em relação a sexualidade dos protagonistas, mas o roteiro não se aprofunda nem mesmo na contribuição da tecnologia para o que quiseram ou tentaram abordar.

Smithereens

(Divulgação | Reprodução: Netflix)
(Divulgação | Reprodução: Netflix)

Um dos episódios que tinha um dos roteiros mais interessantes, traz uma crítica para a nossa realidade também. Em “Smithereens”, o protagonista, Chris Gillheany (Andrew Scott) aparece inicialmente como motorista de um aplicativo semelhante ao Uber, ao desenvolver da narrativa percebe-se que há algo errado com o personagem, mas que é mantido em confidência até o fim do episódio, onde temos a explicação pelo seu comportamento.

Chris sequestra um estagiário da Smithereens, uma empresa responsável pela rede social mais popular dessa realidade, acreditando que Jaden (Damson Idris) fosse um membro importante do quadro de funcionários, já que pretendia ter poder sobre alguém relevante para chamar a atenção de Billy Bauer (Topher Grace), CEO da empresa.

Não fica muito claro inicialmente qual é o plano de Chris e o porquê de suas ações, mas ele falha na missão de não chamar a atenção da polícia e fica cercado por ela durante quase todo o episódio. Quando finalmente ele alcança seu objetivo, Chris relata a Billy que seu vício em permanecer online o tempo todo na rede social o fez provocar um acidente enquanto dirigia e que tirou a vida de sua noiva.

Apesar do episódio tentar trazer uma crítica ao nosso consumo desenfreado e ao compromisso de algumas empresas também em relação a isso, o episódio não traz uma resolução, ele não propõe algo para reverter a crítica que faz, o que o torna sem propósito. A crítica já é existente, inclusive, acidentes de carro por uso do celular enquanto se dirige é um dos mais altos em alguns locais do mundo, como Nova York, por exemplo, que tenta usar tecnologias como “textômetro” para averiguar se o motorista usou o celular enquanto dirige em caso de infração.

Rachel, Jack and Ashley Too

(Divulgação | Reprodução: Netflix)

Um dos episódios mais aguardados também não traz grandes novidades, mas diverte. “Rachel, Jack and Ashley Too” estrelado por Miley Cyrus, conta a história de uma pop star que demonstra infelicidade com sua posição na indústria musical. As pessoas já conhecem o talento de Miley em ambos os cenários, mas o papel de sua personagem se assemelha muito com as críticas que a jovem já fez a indústria da música e ainda faz.

A história também nos apresenta a adolescente Rachel (Angourie Rice), que tenta se adaptar a uma nova vida após perder sua mãe. A jovem não tem amigos e não tem um relacionamento dos melhores com a irmã Jack (Madison Davenport), que demonstra ter uma personalidade e gostos completamente diferente dos dela. Ambas vivem com o pai. Rachel se submerge em um mundo próprio, onde passa a maior parte do seu tempo ouvindo, assistindo e buscando referências sobre Ashley, sobre a qual é obcecada.

O robô Ashley Too que é lançado no mercado, acaba se tornando uma projeção do cérebro da artista. Rachel ganha uma unidade e a utiliza como melhor amiga, suprindo a falta de amigos verdadeiros, o que preocupa a irmã Jack. Após Ashley sofrer um ataque por parte da tia e acabar em um coma induzido, as unidades do produto acabam sendo recolhidas por um “problema de fabricação”, quando na realidade foi provocado propositalmente por um malware. Devido as tecnologias utilizadas pelo pai delas, em seu sistema de controle para ratos no qual trabalha de forma autônoma, as jovens conseguem deletar o malware, liberando o robô do problema, mas libertando uma projeção quase perfeita da artista que as direcionam para salvar a sua forma física verdadeira. Rachel e Jack conseguem salvar Ashley, que acorda do coma a tempo de parar os “planos malignos de sua tia”, que utilizava uma tecnologia para extrair seu talento musical e replicaria em uma versão holográfica para lucrar na indústria da música. A atuação de Miley salva o episódio de um resultado pior. A narrativa entretém, mas o roteiro é fraco e não traz algo relevante, tendo um final previsível.

A 5ª temporada de Black Mirror não é ruim, mas as histórias não inovam, consequentemente não empolgam. É esperado que ano após ano o nível das narrativas suba, mas as últimas duas temporadas não entregaram o nível das três primeiras. Talvez a maior surpresa desta temporada, ao menos para os brasileiros, tenha sido as locações do episódio Striking Vipers. Muitas cenas do episódio se passam na cidade de São Paulo, como a Avenida Paulista, o Viaduto Santa Efigênia, o Viaduto Plínio de Queiroz, o renomado Seen – Restaurant & Bar, entre outros.

Black Mirror está disponível na Netflix.

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NOTA:

TRAILER:

Uma jornalista um tanto quanto nerd, apaixonada por conteúdo, música, filmes, séries e afins. Fundou o blog para dividir as alegrias e as angústias de uma vida que surpreende a cada novo capítulo.

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