(Divulgação: Stranger Things | Netflix)
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3ª Temporada de Stranger Things | Crítica

ATENÇÃO: Este texto contém SPOILERS!

O tempo passou, e dois anos pareceram uma eternidade para os fãs, mas a espera pela 3ª temporada de Stranger Things terminou na última quinta-feira, 4 de julho.

As crianças cresceram e agora lidam com a temida adolescência, que claro, não se compara ao Demogorgon ou ao Devorador de Mentes, mas pode ser tão assustadora quanto. Mike (Finn Wolfhard), Eleven (Millie Bobby Brown), Max (Sadie Sink), Lucas (Caleb McLaughlin), Will (Noah Schnapp) e Dustin (Gaten Matarazzo) enfrentam dificuldades de se conectarem um com ao outro, principalmente Will, que diferentemente dos demais, não está em um relacionamento amoroso.

Após tudo o que vivenciaram, a fase de jogar D&D parece ter ficado para trás, novos interesses surgem, assim como novos desafios envolvendo o mundo invertido.

“Faço minhas próprias regras”

(Reprodução: Stranger Things | Netflix)
(Reprodução: Stranger Things | Netflix)

Eleven sofre com as restrições impostas por Hopper, que acabam a afastando do mundo real na tentativa de a proteger. Assim como seu relacionamento com Mike, que se torna tóxico e abusivo, a fim de querer manter Eleven somente para si mesmo.

Hopper repreende Mike, como um típico pai superprotetor, mas não permite que Eleven saiba que o afastamento do namorado partiu dele. Confusa, a jovem procura Max em busca de aconselhamento, já que a garota se relaciona com Lucas e pode lhe ajudar a entender o que está acontecendo.

Nada de Mad Max, a personagem de Sadie Sink, que na segunda temporada era evitada por ciúmes por parte de Eleven, se torna sua melhor amiga. Max apresenta o mundo real para Eleven e a aconselha em relação à Mike, mostrando para ela que “a vida é mais que só meninos estúpidos”.

Max entra com uma mentalidade bem madura e empoderada e enfrenta o posicionamento machista e sexista de Mike quanto à Eleven, e ela aprende muito bem, o que contribui para o relacionamento deles.

Estados Unidos VS União Soviética

A 3ª temporada de Stranger Things envolve um dos temas favoritos dos americanos de abordarem, os Russos como inimigos do país. Levando em consideração que a história se passa em 1984, período de Guerra Fria, o clima de tensão entre ambas nações era intenso.

É nesta abertura que entra Dustin, Steve (Joe Keery) e a nova personagem, Robin (Maya Hawke), que chega nesta temporada para somar e muito no elenco. Os três unem forças para desvendar uma misteriosa mensagem em russo, que o rádio de Dustin capta interferência em uma de suas tentativas de conversar com Suzie, a fim de se tornarem heróis americanos, caso descobrissem algo de extrema relevância para o Governo Americano.

Stranger Things traz representatividade para o elenco

(Reprodução: Stranger Things | Netflix)
(Reprodução: Stranger Things | Netflix)

Robin aparece inicialmente para supostamente formar um possível par romântico com Steve, mas ao fim, descobrimos que na realidade ela não está interessada em garotos.

Robin era apaixonada por uma colega de classe na época da escola, chamada Tammy Thompson, da qual era apaixonada por Steve. Robin é a primeira personagem homossexual de Stranger Things, que traz importância, relevância e representatividade para o elenco.

Outra questão que ficou no ar para muitas pessoas na 3ª temporada de Stranger Things, foi a orientação sexual de Will, devido a uma cena específica entre ele e Mike. Will se enfurece com os amigos por não darem mais atenção ao grupo e só se importarem com suas namoradas, e Mike diz não ter culpa se ele não se interessa por garotas. Will não revida e não desmente. O assunto fica no ar e a Netflix não confirmou ou desmentiu o assunto até o momento.

Não existe América, sem Érica

Foram os fãs que pediram por Érica (Priah Ferguson) e ela faz uma participação muito divertida na nova temporada. A irmã de Lucas, que antes tinha pavor dos Nerds, se descobre mais Nerd do que poderia prever, como exemplificado por Dustin.

A mini gênia domina os números, é obcecada por política e sim, tem uma quedinha pela cultura pop. Érica tem um senso crítico inabalável e um temperamento que somado a trupe de Dustin, Steve e Robin, traz valor à trama.

Dusty-bun e Suzie-poo cantando Never Ending Story

(Reprodução: Stranger Things | Netflix)
(Reprodução: Stranger Things | Netflix)

Memorável. Uma das cenas mais aguardadas era o aparecimento de Suzie (Gabriella Pizzolo) e ela acontece da forma mais inesperada, fofa e marcante, e sem dúvida relembrando a infância de muitas pessoas que viveram a década de 80 e 90.

Dustin-fofo e Suzie-fofa dividem tela cantando a inesquecível música tema do filme “A História Sem Fim”, aquecendo o coração de muita gente e intensificando ainda mais os elementos culturais da época, como Stranger Things faz muito bem desde sua estreia.

Nancy e Jonathan no The Hawkins Post

O casal que já não está mais no colégio, agora aproveita o verão para fazer um estágio e juntar dinheiro para a faculdade, principalmente Jonathan (Charlie Heaton), cuja situação financeira é menor que a de Nancy (Natalia Dyer).

Porém, diferentemente de Byers, Nancy não se dá muito bem no estágio e vive constantemente momentos de inferiorizarão e machismo no local de trabalho, não aceitando sua posição de realizar tarefas como buscar o almoço dos funcionários e atendendo o telefone. Ela sabe que seu valor é maior do que essas simples tarefas.

Sempre que a jovem tenta contribuir com o jornal e com as matérias, emitindo opinião ou dando ideias, ela é automaticamente cortada e revidada com deboches e bullying.

Nancy traz uma notoriedade também da força de seu papel como mulher e como ela não precisa esperar pela aprovação de homens ou do que acha que é preciso ser feito, ela pode simplesmente abraçar sua própria força e defender o que acredita.

O breve diálogo entre Nancy e Karen Wheeler (Cara Buono), é interessante e poderia ter sido melhor aprofundado, mas é um passo importante para a narrativa, valorizando a participação das mulheres na resolução dos perigos de Hawkins.

Um novo hospedeiro para um vilão já conhecido

(Reprodução: Stranger Things | Netflix)

A 3ª temporada de Stranger Things pode ser considerada, talvez, a mais sombria realizada até o momento. A série já levava essa pegada, mas as anteriores tinham uma leveza maior.

O ritmo da série acompanha o amadurecimento dos personagens. A série não perde o senso de humor, pelo contrário, mas quando precisa abordar as questões sérias, ela faz isso muito bem. O personagem de Billy, cai como uma luva. Já tínhamos conhecido o bad boy na segunda temporada, assim como também descobrimos os motivos que levaram a construção do caráter do personagem: o relacionamento conturbado e abusivo do pai, do qual sofreu ao longo de toda a sua vida.

A ideia de que o Devorador de Mentes, se empossa de Billy como figura representativa do mau, é incrível. É preciso exaltar a extraordinária atuação de Dacre Montgomery que impressiona com toda a construção que precisou fazer para encarar a nova face de seu personagem.

Utilizar Billy não humaniza o monstro, mas nos serve de lembrete das atrocidades de que alguns seres humanos são capazes. Às vezes os monstros estão mais próximos do que se imagina, ou não possuem a aparência que imaginamos possuir.

O elenco adulto ganha mais espaço

A cena pós-credito da 3ª temporada de Stranger Things nos dá uma segunda interpretação ou um claro aviso de que as coisas não terminaram exatamente como imaginamos e as lágrimas se tornam uma esperança de que Hopper, esteja de fato vivo.

Os Russos aparecem em um local semelhante a uma prisão e no momento em que um dos guardas vai abrir a cela, o outro o repreende dizendo: “Não. Não o americano”.

Hopper está vivo? Será que na realidade a máquina criada pelos russos para abrir o portal para o Mundo Invertido na realidade não desintegra as pessoas, mas as transfere para um outro lugar ou dimensão? Enfim, Stranger Things nos abre um vasto leque de possibilidades a questionar, e esta não seria a primeira vez que um personagem querido passa por “morto”, mas “reaparece” vivo depois, a exemplo de Eleven no final da primeira temporada.

Os poderes de Eleven

Aparentemente, após ser ferida pelo monstro, Eleven enfraqueceu ou perdeu seus poderes, mas dificilmente a série deve seguir com esse problema. O que abre margem para que na próxima, os irmãos Duffer tragam de volta a trama das demais pessoas que possuem poderes paranormais e foram usadas como experimentos pelo laboratório de Hawkins, arco este não finalizado pelos produtores.

Veredito

(Reprodução: Stranger Things | Netflix)

No geral, a 3ª temporada de Stranger Things supera as expectativas e nos entrega humor, romance, drama, tensão e suspense. Assim como personagens mais seguros, decisivos e corajosos.

Ver o elenco crescer e amadurecer como atores diante dos nossos olhos tem sido incrível. Principalmente Millie, cujo papel exige uma entrega ainda maior e nos emociona com sua capacidade de atuação.

Infelizmente nesta temporada, o personagem de Noah Schnapp que impressionou a muitos nas temporadas anteriores, principalmente na segunda, ficou um pouco de lado e poderia ter sido melhor aproveitado na terceira. Seria interessante ver Will mais ativo nas aventuras do grupo, ao invés de somente um menino traumatizado que sirva para identificar o perigo que se aproxima.

A trilha sonora da série como sempre está impecável e a direção também de Matt e Ross Duffer. Basta aguardarmos agora para descobrir se a série será finalizada na quarta temporada, ou se os irmãos Duffers decidirão prosseguir com mais algumas.

Levando em consideração que Joyce, Jonathan, Will e Eleven deixaram Hawkins, possivelmente Hopper esteja vivo, Suzie em outro estado, uma maior abordagem dos russos, um Demogorgon vivo, fora os mistérios que ainda rondam o laboratório de Hawkins, talvez ainda tenhamos muitas histórias para acompanhar. Vamos torcer para que nos tragam mais novidades e não caiam em uma narrativa repetitiva e insistente.

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NOTA:

TRAILER:

Uma jornalista um tanto quanto nerd, apaixonada por conteúdo, música, filmes, séries e afins. Fundou o blog para dividir as alegrias e as angústias de uma vida que surpreende a cada novo capítulo.

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