(Divulgação: Loki | Disney+)
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A VARIANTE | SEGUNDO EPISÓDIO DE LOKI

Diferente das demais séries da Disney+ envolvendo o MCU até o momento, Loki revela cada vez mais um roteiro conciso e com paciência de explicar tudo o que o público precisa saber para entender o tão complexo Multiverso Marvel no segundo episódio: A Variante.

Pode parecer um pouco maçante para algumas pessoas o fato da Marvel estar mastigando todo o conteúdo base para nós, explicando com detalhes sobre a Linha do Tempo Sagrado, os perigos das ramificações de acordo com a AVT e os Guardiões do Tempo, a energia nexus, e etc.

Mas o Multiverso não é tão simples de entender e o MCU deixa cada vez mais claro que pretende abordar muito deste tema na fase 4, portanto, essa introdução precisa, será mais do que necessária para sanar vários questionamentos que ainda virão e teorias, que sem dúvida, irão tirar o nosso sono.

CONFLITOS DE IDENTIDADE E O REENCONTRO CONSIGO MESMO | A VARIANTE

Tom Hiddleston e Owen Wilson no episódio A Variante na série Loki
(Divulgação: Loki | Disney+ | Tom Hiddleston e Owen Wilson no episódio A Variante na série Loki)

Inegavelmente Loki veem exercendo o papel de vilão nos últimos anos do MCU, entretanto, conseguimos perceber alguns fragmentos de um lado bom (uma pinta de herói, talvez?) em alguns momentos, principalmente agora na série. Isso acontece de tal forma que começamos a notar traços emocionais e empáticos que não pareciam existir, fazendo com que sua arrogância e prepotência soem como uma máscara para não demonstrar a fragilidade que também existe nele.

Conforme já sabemos pelos filmes introdutórios da mitologia nórdica dentro do Universo Marvel, como a trilogia de Thor, sabemos que Loki Laufeyson é na realidade filho do Rei Laufey, líder dos gigantes de gelo de Jotunheim, ao invés de Odin, sendo provável que isso tenha causado um enorme problema pessoal de aceitação.

Em resumo, sabendo que nunca foi o legítimo herdeiro de Asgard, Loki sempre esteve à sombra de Thor, nunca foi o filho favorito ou o Deus amado de Asgard e isso traz reflexos ainda hoje para a história.

O SEGUNDO EPISÓDIO: A VARIANTE

A Marvel ainda aproveita o segundo episódio: A Variante, para expandir o cenário e nos dar um pouco mais de explicações sobre o trabalho executado pela AVT. Como por exemplo:

EVENTOS NEXUS: Os eventos nexus são quando algo não determinado pelos Guardiões do Tempo acontece na Linha Sagrada do Tempo e coloca a ordem das coisas naturais em risco, isto é, eles desestabilizam o fluxo temporal.

CARGAS RESET: As cargas reset são cápsulas que as unidades de homem-minuto da AVT carregam com eles para resetar a linha do tempo. Elas podam todo o raio afetado de uma linha do tempo ramificada e desintegram tudo ao seu redor, para evitar um evento nexus.

TEMP PAD: O Temp Pad é um dispositivo eletrônico similar a um tablet, utilizado pelos funcionários da AVT para verificar qualquer energia variante ou quando um evento nexus está próximo de passar a linha vermelha (redline imminent) que por consequência, faria um estrago na Linha do Tempo Sagrada.

VARIANTES: São as ‘cópias’ de uma pessoa, mas é importante frisar que não existem variantes iguais, já que elas podem possuir mudanças ou não na aparência e poderes diferentes dos que a pessoa original possui.

RAMIFICAÇÕES: As ramificações são as linhas do tempo que surgem a partir de um evento nexus e fogem da Linha Sagrada do Tempo, ou seja, são linhas do tempo paralelas que de acordo com a AVT não deveriam existir.

GÊNERO FLUÍDO? | A VARIANTE

(Divulgação: Loki | Disney+ | Tom Hiddleston no episódio A Variante em Loki)
(Divulgação: Loki | Disney+ | Tom Hiddleston no episódio A Variante em Loki)

No primeiro episódio pautaram muito algumas questões à cerca da identificação de gênero de Loki, principalmente de uma cena específica em que Mobius está segurando a ficha criminal de Loki e nela consta como gênero fluído.

Vamos tentar entender primeiro o que é gênero para depois explicarmos os demais, para chegarmos até o ponto da questão aqui envolvida.

Gênero: a questão sobre gênero é muito ampla, diferente daquela versão da aula de biologia que temos na escola, já que gênero é multifatorial e não depende de sexo biológico. Por conseguinte, uma pessoa que nasce com uma genitália X, pode não se identificar com o gênero atribuído a ela, podendo se identificar com algum gênero oposto, com ambos ou nenhum.

Identidade de Gênero: Identidade de gênero é como a pessoa se identifica quanto indivíduo, como ela se expressa em relação ao próprio gênero, podendo ou não se identificar com aquele atribuído ao nascimento.

Orientação Sexual: Identidade de gênero e orientação sexual não estão ligadas e são completamente diferentes. Orientação sexual retrata sua atração tanto afetiva quanto sexual por outras pessoas, sejam elas do mesmo gênero, oposto, ambos ou nenhum.

Expliquei tudo isso para chegar ao ponto da questão em Loki, até o momento. O que é gênero fluído?

Gênero Fluído: são pessoas que não se identificam com uma única identidade de gênero e podem transitar entre várias, como o feminino, o masculino, ambos ou nenhum (agênero). Pessoas que se identificam como gênero-fluído também podem passar por mudanças de tempos em tempos.

Com o segundo episódio, finalmente conhecemos a real ameaça para a AVT no momento, a variante que Loki está ajudando a burocrata a encontrar. Ao fim, a variante se revela e podemos conhecer uma personagem feminina, interpretada por Sophia Di Martino, o que nos abre outros questionamentos ligados a esta questão de fluidez de gênero.

Nos quadrinhos duas personagens já são conhecidas e que podem se revelar como uma das opções aqui, sendo elas Lady Loki ou a famosa Enchantress ou Encantor. Antes de avaliar melhor as duas opções, vamos relembrar dois poderes muito bem exemplificados pelo próprio Loki também neste episódio: Projeção de Ilusão e Criação Duplicata.

“Projeção de ilusão é esculpir uma imagem da aparência da pessoa perceptível ao mundo exterior, enquanto que a criação de duplicata implica em recriar uma cópia exata do corpo de alguém na atual circunstância que atua como um espelho holográfico da estrutura molecular.”

Por muitos anos, Loki assumiu várias formas diferentes utilizando suas habilidades e poderes de ilusão e criação duplicada, incluindo formas femininas, mas em 2008, ele assumiu a identidade de uma mulher por um período significativamente extenso.

LADY LOKI

Nos quadrinhos, de forma bastante resumida, Lady Loki continua sendo o Deus da Trapaça, mas numa versão feminina, sendo fruto de uma de suas transformações. Quando apareceu no universo Marvel, inicialmente Loki assumiu o corpo de Lady Sif, enquanto o espírito dela se encontrava preso em outra pessoa. Anos mais tarde, os quadrinhos apresentavam Lady Loki como uma das tantas outras personalidades contidas dentro de Loki.

(As personagens Lady Loki e Enchantress em um recorte de uma das HQs da Marvel | Reprodução: Marvel Comics)
(Lady Loki e Enchantress em um recorte de uma das HQs da Marvel | Reprodução: Marvel Comics)

ENCHANTRESS (SYLVIE LUSHTON):

Sylvie é uma personagem já conhecida nos quadrinhos que ganhou poderes mágicos herdados por Loki, após os Asgardianos terem movido seu lar para Oklahoma, local vivido por Sylvie. Em um determinado ponto da história, a Enchantress ou Encantor como outros também a classificam, chegou a se mudar para Nova York e se juntou aos Vingadores. Anos mais tarde, foi revelado que os poderes de Sylvie e até mesmos seus poderes são obra de Loki, que “gostou da ideia de criar uma mortal que suspeitava ser única”.

Tudo muito confuso certo? Ainda não há esclarecimentos sobre quem de fato é a personagem vivida por Sophia Di Martino, mas conseguimos analisar algumas opções:

É possível que a personagem seja mesmo uma variante na versão feminina de Loki (talvez por isso o uso de fluidez), ou que tenha se revelado para ele como uma versão feminina como disfarce. Podemos pensar na possibilidade que a personagem seja mesmo Sylvie por causa do figurino e por causa dos créditos finais do episódio na versão espanhola, em que Sophia Di Martino ter é colocada como Sylvie ao invés de Variante, como na versão em inglês. (PS: Pode ser uma pegadinha da Marvel também). E em um dos documentos apresentados na série também revelam o nome “Sylvie Laufeydottir”.

Nos países nórdicos os sobrenomes das crianças indicam “son” ou “dottir” para dizer que aquela criança é filha ou filho de tal pessoa. No caso de Loki, Laufeyson (filho de Laufey) e no caso de Sylvie (filha de Laufey).

Também existe a possibilidade de que essas personagens não sejam variantes, mas sim elas mesmas, sendo únicas.

Mas por que falei da questão de gênero fluído no início? Porque a Marvel não tem sido o melhor exemplo de inclusão e diversidade para representar personagens LGBTQI+ ou dar o grau de relevância e protagonismo que eles merecem.

O fato de usarem fluidez na série Loki, pode não ser pelo fato do personagem realmente ser fluído, se identificar como gênero fluído, mas por utilizar de suas artimanhas, feitiços e trapaças para benefício próprio. Por isso precisaremos assistir um pouco mais para ver se em algum momento a Marvel vai abordar melhor o assunto e trazer relevância ao fato ou se infelizmente essa foi uma estratégia triste que chamamos de queerbaiting.

Queerbaiting vem de dois termos em inglês: queer termo abrangente para nos referirmos às pessoas LGBTQI+ e baiting seria algo como: lançar a isca; uma técnica utilizada pelo entretenimento onde sugerem que personagens sejam LGBTQI+ (lançam a isca ao público), mas não desenvolvem suas narrativas, não demonstram mais nada sobre o assunto, apenas mencionam de forma rasa para chamar a atenção e se classificarem como diversos, mas sem o devido cuidado de deixar isso claro. Ou seja, atraem aquele público por este motivo, mas não acrescentam a relevância do fato à história.

Como este não é o meu lugar de fala, fui pesquisar porque o que eu menos quero ou pretendo fazer com este texto é desinformar alguém ou ser preconceituosa, pelo contrário. Quero ler, aprender e ouvir para ajudarmos a criar uma sociedade mais respeitosa e inclusa. Vou deixar aqui anotado as fontes de quais tirei as informações que trouxe para este trecho do texto:

Fala Universidades

Orientando

Estanteando I

Estanteando II

QUESTIONAMENTOS DE LOKI A MOBIUS SOBRE A AVT

(Divulgação: Loki | Disney+ | Tom Hiddleston e Owen Wilson no episódio A Variante na série Loki)
(Divulgação: Loki | Disney+ | Tom Hiddleston e Owen Wilson no episódio A Variante na série Loki)

A indignação de Loki quanto à fidelidade e a crença de Mobius na AVT nos faz começar a questionar a legitimidade dessa grande agência que controla o tempo. Até porque, sempre que os Guardiões do Tempo são citados, os funcionários sempre desconversam ou dizem que eles estão ocupados demais para lidar com outras questões que não desvendar as ramificações para manter a ordem da Linha Sagrada do Tempo.

“A existência é um caos. Nada faz sentido então tentamos tirar um sentido. E tenho sorte que o caos em que eu emergi me deu tudo isso… meu próprio glorioso propósito”

Mobius revela para Loki que tudo está escrito, seja passado, presente e futuro, e que o livre arbítrio não existe. O agente também menciona que a AVT protege o que veio “antes”, ou seja, tudo o que os Guardiões já determinaram, enquanto os mesmos continuam trabalhando para desvendar um novo epílogo de suas infinitas ramificações.

Saber que no final dos tempos tudo terminará em paz absoluta, atormenta Loki, que vive pelo e para o caos.

“Ninguém mau é totalmente mau e ninguém bom é totalmente bom”

CARGAS RESET E CRIAÇÃO DO MULTIVERSO

(Divulgação: Loki | Disney+ | Sophia Di Martino estreiando em Loki no episódio A Variante)
(Divulgação: Loki | Disney+ | Sophia Di Martino estreiando em Loki no episódio A Variante)

Se lembram das cargas resets sendo roubadas? No final das contas, elas não serviram apenas para fugas e visitas à outros tempos. Como bem estudado e analisado por Loki, a variante estava emboscando unidades da AVT para roubar as cargas resets, se escondendo por meios de apocalipses/desastres para encobrir os próprios rastros. Mas seguindo a linha de pensamento, os desastres deveriam ser de ocorrência natural, de repente e sem aviso ou sobreviventes, caso contrário, haveriam alertas para a AVT.

No primeiro texto, havíamos citado sobre o Kablooie, e no segundo episódio, o doce serviu como objeto rastreável por parte da AVT, que apenas foi vendido na Terra entre 2047 a 2051.

Ao se locomoverem para Haven Hills, no Alabama, nos EUA em 2050, em uma loja chamada Roxxcart Disaster, ao pensarem que estão emboscando a variante, descobrem que já eram esperados, pelo o que parece ser Lady Loki.

Aqui a variante nos revela por quais motivos estava roubando tantas cargas resets. É bem provável de se dizer que ao acioná-las todas de uma única vez, não somente criou pânico e caos na AVT como provavelmente foi ela a responsável por dar vida ao tal falado multiverso.

No momento que as diversas ramificações e linhas temporais vão se abrindo no telão na AVT, elas se assemelham muito com aquela explicação ilustrada da Senhora Minutos no primeiro episódio.

Os motivos pelos quais a variante criou o multiverso, ainda precisaremos esperar para saber, mas de acordo com a mesma, não é sobre querer governar a Autoridade de Variância Temporal, apesar da comandante C-20 (capturada no início do episódio pela variante durante a Feira Renascentista de 1985 em Oshkosh, Wisconsin, nos EUA), ter dito aos companheiros da AVT que revelou à variante onde estão os Guardiões do Tempo e como encontra-los.

“Analista 1182-E reportando um código triplo-zero, ramificação se formando rapidamente. Alguém bombardeou a Linha do Tempo Sagrada.”

AS RAMIFICAÇÕES CRIADAS E O CAOS

(Divulgação: Loki | Disney+ | Telão na AVT mostrando a criação do multiverso)
(Divulgação: Loki | Disney+ | Telão na AVT mostrando a criação do multiverso)

Algo curioso nos é revelado se prestarmos bastante atenção ao telão da AVT no momento em que o multiverso se instaura. Ao que parece, a suposta Lady Loki escolheu os momentos para criar as novas ramificações, que se instauram em diferentes épocas e lugares. Muitos desses locais nos são familiares, pois já foram marcados por eventos ou povos do MCU:

Ego (27/12/1382)

Ego, o Planeta Vivo, um planeta como os outros conhecidos, mas que conseguiu desenvolver inteligência e consciência. Você deve se lembrar dele em Guardiões da Galáxia, que desempenhou o papel de pai de Peter Quill (Chris Pratt) ao invés de J’Son.

Titan (13/10/1982)

Planeta natal do vilão Thanos, interpretado por Josh Brolin.

Hala (01/03/0051)

Planeta dos seres Kree.

Xandar (24/09/1001)

Planeta da força militar intergaláctica e força policial Nova Corps. Você deve se lembrar dela em Guardiões da Galáxia.

Asgard (16/02/2004)

Planeta de Thor (Chris Hemsworth) e Loki (Tom Hiddleston).

Vormir (23/04/2301)

Planeta onde se encontra a Joia da Alma. Local onde a Viúva Negra morreu. Você deve se lembrar dele em Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato.

“Isso não é sobre você.”

O que acharam do episódio “A Variante”? Quais são suas novas teorias?

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Uma jornalista um tanto quanto nerd, apaixonada por conteúdo, música, filmes, séries e afins. Fundou o blog para dividir as alegrias e as angústias de uma vida que surpreende a cada novo capítulo.

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