MALÉVOLA: DONA DO MAL | CRÍTICA
Malévola: Dona do Mal se apresenta como uma sequência desnecessária com seu roteiro fraco e narrativa morna. O hype sequencial se deu ao grande sucesso do primeiro, mas a Disney exibe uma nova obra para manter a máquina de fazer dinheiro girando, levando em consideração a falta de preocupação em entregar uma obra à altura da primeira.
Um elenco que emprega atores e atrizes de respeito, dificilmente consegue segurar o peso de um filme que se ausenta tanto em apresentar uma história com significação ou conceito. Sem relevância alguma, as personagens ficam soltas em um roteiro miserável, desconexo e sem respeito pela figura feminina.
Há algum tempo a sociedade vem levantando pautas sobre a importância da ressignificação da imagem das princesas da Disney e Malévola: Dona do Mal, chega para reafirmar que essa pauta é válida ao debate.
O longa traz não somente personagens fracas, mas que ajudam a perpetuar uma imagem negativa e machista em relação à figura da mulher. Enquanto Malévola (Angelina Jolie) e a Rainha Ingrith (Michelle Pfeiffer) se apresentam como mulheres maléficas, histéricas, violentas, vingativas e aparentemente sem nenhum senso de autocontrole, as figuras masculinas como a do Rei John (Robert Lindsay), a do Príncipe Philip (Harris Dickinson) e até mesmo a de Conall (Chiwetel Ejiofor) se apresentam como seres pacíficos, amorosos, empáticos e racionais.
Até mesmo os coadjuvantes sofrem com essa classificação injusta, enquanto que Gerda (Jenn Murray), a serva da Rainha, é uma seguidora fria e cruel, Diaval (Sam Riley) o amigo ‘corvo’ de Malévola, funciona como o alívio cômico e o instrutor de bons modos da criatura. A todo o momento, a figura masculina funciona como um exemplo a ser seguido.
Não é preciso avaliar as falhas do filme com tanta profundidade em meio ao conteúdo raso e machista que é entregue. A violência gratuita para um filme que se apresenta também ao público infantil, a falta de justificativa e consequentemente de esclarecimentos, nos deixa no fim, com a boca amarga.
O filme que supostamente deveria tratar com mais respeito sua protagonista, por vezes se ausentou até mesmo da própria Malévola, deixando Angelina Jolie de lado e cedendo mais espaço para Aurora (Elle Fanning
A quantidade absurda de erros chega a apagar o brilho das únicas coisas plausíveis do filme: a maquiagem, o figurino e a direção de arte. A qualidade da sequência chega a afetar o olhar sobre a totalidade da história de Malévola, correndo o risco inclusive de mudar a percepção sobre o primeiro filme.
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NOTA:
TRAILER:
Marcella Montanari
Uma jornalista um tanto quanto nerd, apaixonada por conteúdo, música, filmes, séries e afins. Fundou o blog para dividir as alegrias e as angústias de uma vida que surpreende a cada novo capítulo.