O Gambito da Rainha | Netflix
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O GAMBITO DA RAINHA | CRÍTICA

Um passeio em meio aos anos 60 em uma clássica história que foca na obsessão entre EUA e Rússia, mas desta vez, envolvendo uma vida ao invés de milhares que ruem no caos de guerra. Baseada no romance de Walter Tevis, a minissérie da Netflix, O Gambito da Rainha, nos conta a história de uma menina prodígio que em meio a grandes perdas, se apega ao pouco que as circunstâncias da vida lhe oferece, mas que diante de sua genialidade, se torna o maior feito de sua vida. Não é a genialidade que demonstra ter um custo, mas as desgraças que estamos fadados a enfrentar, correndo o risco de vivermos sob resquícios de traumas que nos perseguem, às vezes, por mais tempo do que gostaríamos ou pra sempre.

O Gambito da Rainha nos mostra a trajetória de Beth Harmon, brilhantemente interpretada por Anya Taylor-Joy, que após enfrentar duras circunstâncias ao lado da mãe e consequentemente sua perda, passa a viver em um orfanato no estado de Kentucky, no final dos anos 50. É durante este período, com noves anos de idade, que Beth tem seu primeiro contato com o xadrez, graças ao zelador, Mr. Shaibel (Bill Camp), que viu na menina o potencial para ser uma grande jogadora no futuro. É no mesmo período que Beth tem seu primeiro contato com calmantes, que eram oferecidos pelo estado aos órfãos na intenção de deixa-los calmos, o que torna um vício que é levado por anos até a vida adulta.

O Gambito da Rainha | Netflix
(Divulgação: O Gambito da Rainha | Netflix)

A minissérie não explora uma universalidade incomum no fato de contar uma história que envolva genialidade e abuso de substâncias, ao que parece leve, mas traz características que podem ser incômodas, mas não ao ponto de ser perturbadoras. Analisando o fato de que é fascinante ver uma mulher dominar uma atividade comumente masculina na década de 60, ao ponto de seus talentos ficarem em segundo plano, é algo sustentando até a realidade atual. É necessário enaltecer a atuação de Anya, que envolve quem assiste por meio de seu olhar hipnotizante que nos prende, indaga e incomoda pela simples percepção que transpassa com o olhar no meio dos demônios que perseguem Beth.

A Netflix soube adaptar uma história que poderia não ser tão interessante a um público aberto, se considerarmos que xadrez é um jogo voltado para um nicho de pessoas que dominam o raciocínio lógico. Porém, o conto não se trata apenas dos dotes incríveis de uma jovem em ascensão, mas como driblar vícios e vence-los, também se dá pelo apoio de pessoas que acreditam em você como pessoa e profissional. Uma pena que Jolene (Moses Ingram) é explorada ao lado de Beth apenas no início e no fim da trama, onde graças a ela, a menina branca genial não conseguiria salvar a si mesma, independentemente do apoio de Harry, Benny, Matt, Mike e todos os outros homens que dominavam o xadrez antes dela. A falsa sensação de preocupação não se estende no papel dos homens quando a paixão de Beth não se corresponde, diferente de Jolene, que coloca as finanças de seu próprio futuro em jogo porque acredita no potencial da amiga.

(Divulgação: O Gambito da Rainha | Netflix)

Mesmo que ao final, a narrativa de Scott Frank tente amenizar este apelo, unindo-os em prol do título de Beth em Moscou, no final das contas, quem de fato a ajudou a chegar até o Campeonato Mundial foi Jolene. Salve-se dizer que o carisma de Moses Ingram conduz um aconchego à vida vazia de Beth em meio as conquistas de sua trajetória.

Aos amantes de uma boa trilha sonora, espere-se apaixonar pela escolha a dedo de músicas que vão te conduzir a uma viagem ao tempo muito bem explorada pela alta credibilidade da música no cenário da década, assim como o figurino que desenha e realça muito bem a desenvoltura da personagem e sua evolução pelo tempo e maturidade, explorando o mais invejável guarda-roupa, por assim dizer.

No mais, O Gambito da Rainha passa por altos e baixos nos seus sete capítulos que nos faz questionar algumas passagens, mas que acaba nos entregando uma série que entretém, promove questionamentos e nos faz apaixonar pela alta qualidade de suas câmeras, uma bela fotografia que casa perfeitamente com o olhar afiado de Anya e o sobreluzir da atuação do elenco feminino que apesar de tentar conquistar espaço, ainda fica em segundo plano pelo destaque do elenco masculino.

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NOTA:

TRAILER:

Uma jornalista um tanto quanto nerd, apaixonada por conteúdo, música, filmes, séries e afins. Fundou o blog para dividir as alegrias e as angústias de uma vida que surpreende a cada novo capítulo.

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