Deixe me partir enquanto há tempo / Imagem: Marcella Montanari
Desabafo

DEIXE-ME PARTIR ENQUANTO HÁ TEMPO …

Deixe-me partir, pois me encontro nesse vendaval que insiste em não passar. Nessa labirintite sem fim, por essa estrada que dá voltas e não me leva a lugar algum. Conforme parece ir embora, inesperadamente chega um tornado que destrói e arranca tudo do meu peito, expondo ao mundo meus defeitos que são os meus xodós. Apesar de tudo, tenho orgulho das minhas marcas de guerra.

Exausta estou, tentando gritar por um socorro que ainda assim, parece não chegar. Fui esquecida nessa terra de ninguém, de gente egoísta e sem empatia. Às vezes, um dia a mais, me parece um dia a menos.

Certamente me sinto fatigada por andar em círculos nos corredores da casa, tentando não bater a cabeça nas paredes. Conforme o tempo passa, a sensação de estar semimorta se expande. Insanidade? Vocês reclamam de insanidade no conforto da casa de vocês? Insanidade é enterrar entes queridos, amigos e concordar com quem não sabe ser humano. Nunca soube. Normalizamos o absurdo.

Deixe me partir enquanto há tempo / Imagem: Marcella Montanari
...

Exausta de me perder e adoecer neste mundo sombrio  que consome um pouco mais da minha alma todos os dias. O Brasil me mantém amarrada sem ter pra onde fugir. Cansei de ser feita refém da Pátria Mãe, sob esse cativeiro que não me permite respirar normalmente. Por favor, abram as portas e deixem-me partir.

Sou feita de amor próprio e ao próximo, de luz e carinho. Fiquem com seus templos, seus Messias, seu egoísmo e suas estranhas felizes feições enquanto enterramos mais de cem mil histórias.

Abram as portas e me deixem ir antes que eu adoeça e me contamine com essa falta de amor, a essa corrupção que vai além da política e já mora dentro de nossas casas. Inegavelmente, o mundo está enfermo, por nossa culpa.

Deixe-me ir antes que me falte o ar. Deixe-me ir pra algum lugar em que seja possível ser feliz, porque aqui na terra prometida de Messias… só ficou as sombras e o pó. Não os reconheço, lhes ausenta a humanidade em mim presente.

Apenas, deixe-me.

– Marcella Montanari

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Uma jornalista um tanto quanto nerd, apaixonada por conteúdo, música, filmes, séries e afins. Fundou o blog para dividir as alegrias e as angústias de uma vida que surpreende a cada novo capítulo.

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