O Pequeno Girassol de Van Gogh
Comportamento,  Gerando Conversa

O PEQUENO GIRASSOL DE VAN GOGH

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O que dizer da luz que por sorte, insiste em surgir do caos? Vivo aquele dilema de que aos tropeços e barrancos é preciso levantar para lutar depois de cada uma de minhas quedas. Ao quase fim de uma era, me sinto exausta e cada vez mais me distancio daquilo que sempre me cantaram do que e como é a vida.

Aos 2.9, me é cada vez mais claro que não existe receita para a felicidade e que não importa o quanto escolhemos ser do bem, coisas ruins ainda acontecerão a nós. Eu vivi uma utopia a vida toda de que meus sonhos seriam alcançados só por me esforçar muito, de que existia alguém reservado para o meu coração depois de algumas desilusões, de que amigos de infância seriam eternos e de que a estabilidade financeira reinaria por esta fase.

Me venderam a vida como uma receita de bolo que se replica, quando na realidade a minha alma se auto suplica um ensurdecedor: ACORDE! O tempo tem passado. Tenho passado duas, agora quase três décadas, sendo uma boa pessoa esperando que coisas boas aconteçam, e exatamente por isso, estou exausta.

Calma, mas falando assim, parece até que fiquei esperando a felicidade bater aqui na porta, não, não… calma. Apesar de amor nunca ter me faltado, me faltou um pouco de impulso para voar. Ninguém nunca cortou minhas asas, mas o cuidado excessivo com elas foi tamanho, que por anos, passei a ter medo de estirá-las num mundo que temi enfrentar.

Peguei, somatizei e colecionei dores, traumas e sofrimentos que não eram meus, e que apesar do mundo, sim, ser um lugar cruel, ainda assim, também pode ser um bloco Canson pronto para receber cores. A minha paleta de cores.

Marcella Montanari e o Pequeno Girassol de Van Gogh

... vivendo como um pequeno girassol de Van Gogh ...

O tempo tem passado e tenho tido perdas cada vez mais duras nesta trajetória que não escolhi. Criei raízes curtas onde não quis, alimentei relacionamentos que me faziam mal e acabei por anos permanecendo como figurante onde sempre desejei ser protagonista, mas em espaços e corações que nunca me couberam de verdade.

Cantei, me calei, retirei peso da balança, repuis em ganância, enchi copos de lágrimas e barriga de tristeza. Mas também chorei de gargalhar, me arrisquei a respirar, voo alto peguei e em queda livre, por vezes, me joguei. Me vi sozinha, livre e bruxa; filha de Freyja, que sobreviveu ao fogo, que clama pelos espíritos da floresta, ouve a Deusa na calada da noite e se banha nua perante a lua, na companhia das estrelas que refletem na minha pele tão machucada, o resquício de brilho que parecia vago. Vincent tinha razão, sem ser preciso saber o motivo, olhar para as estrelas sempre me fará sonhar.

Posso ser pequena, quase imperceptível para alguns, mas assim como um girassol que absorve a luz do sol e transmite beleza àqueles que aprenderam a encontrá-la em muitas frestas da vida, mais uma vez, meu ariano favorito tinha razão, também percebo que eu tenho um pouco de girassol.

Falando de ciclos e não vagamente de Van Gogh, divido com este gênio, à frente de seu tempo, as felicitações de aniversário que não pararam aos 37. O holandês, cuja alma era atormentada em vida, e ainda assim, mal compreendida e repreendida neste mundo cinza, hoje me entenderia, melhor que a maioria.

2.9 com cara de 19 e coração de uma criança de apenas 9. Não se engane, malícia de vida de uma mulher de 49 e a coluna? Talvez, sim, de uma matriarca de 99, mas que nunca me impediu de repelir os maiores X9’s.

Com uma vontade imensa de viver em tons de alegria, como os girassóis exuberantes de Vincent. Numa pincelada texturizada, quase aveludada e alguns tantos retoques, me coloco à frente assim, da vida. Agora sim, me sinto tão pronta, para vivenciar com menos medo à minha volta, pela primeira vez, com os meus próprios olhos e o pequeno Girassol de Van Gogh que levo dentro do peito, sendo capaz de me sinalizar os pontos quentes como bússola do coração.

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Uma jornalista um tanto quanto nerd, apaixonada por conteúdo, música, filmes, séries e afins. Fundou o blog para dividir as alegrias e as angústias de uma vida que surpreende a cada novo capítulo.

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